A Mãe da Morango Não é a Moranga

O povo diz que o Dourado do BBB 10 é homofóbico, mas pérola da homofobia mesmo é a que nos foi atirada pela mãe da Morango que foi à imprensa dizer que a filha não é lésbica; de quebra ainda invade a privacidade da moça contando que ela teve vários namorados, algumas vezes foi feliz com homens e ainda ameaçou suicídio por causa de um homem casado.Mais que homofobia isso é filhofobia.
Pior:  Sofreu abuso sexual e por isso D.Moranga separou-se do Sr. Morango.
A imprensa aproveita pra contar que a mãe da Morango não recebeu convite para ir torcer pela filha no paredão, por sinal o último.Também… Essa mãe só ficaria legal com uma filha lésbica se essa ganhasse o milhão e meio. Daria pra meter um monte de botox nessa boca, matando 2 coelhos com apenas algumas agulhadas.
Já dizia minha prima Eny: Mãe boa é mãe calada!
Coração de mãe não se engana, apenas se auto-engana. Por essas e outras que o Dourado vai muito bem, obrigada. O cara não é homofóbico, ele é o espelho da grande maioria de brasileiros que não sabendo lidar com uma situaçã falam merda mesmo. São ignorantes mas não são pessoas más. Por outro lado, depois de ter lido as confissões da D.Moranga, entendo a surtada que Angélica deu, que lhe custou a saída do programa. Bem feito! Mas com andei torcendo por ela, não vou malhar a menina pois, castigo maior ela já vai receber: voltar pra Uberlândia e ter que explicar tudo isso pra todo mundo, Morango vai sentir saudades do Dourado…

BBB 10: Mãe de Angélica diz que a filha sofreu abuso do pai

Mãe de Angélica diz que filha não é lésbica

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Começando pelo Fim

Dói o coração ver o que amamos descendo a ladeira… É preciso conformar-se. Cabe o berro, o choro com lágrima e escândalo, primeiro paliativo para qualquer tipo de dor. Lágrima que não chega aos olhos ocasiona cegueira e endurece o coração. Mas há que depois fazer a famosa, clássica e indigesta pergunta: “Onde foi que errei?” , ou ” onde está o erro?”, porém a mais proveitosa das perguntas seja: E agora?

Depois dos berros dados, certamente estas  não serão perguntas  vítimas repletas de auto-piedade, deve ser o início de um caminho de volta ou de ida de preferência sem o ticket da tal volta.

Assim, estou renovando a minha carteira do Império Serrano. Talvez ser grande entre os pequenos traga uma certa sensação de que a vitória é inexorável e nos coloque numa zona de conforto ridícula, como a moça meio feia que só tem amigas mais feias ainda ou o suposto inteligente que só debate com os ignorantes… No caso do Império Serrano uma longa pedreira pra quebrar e o retorno quem sabe, só se dê em 2012. Verdade que se perdêssemos a cultura de que só o campeonato importa e que a medalha de prata amarga, o mundo inteiro ganharia. As escolas que estão no Grupo de Acesso poderiam fazer um carnaval belissimamente democrático se houvesse investimento na auto-estima de quem está lá porque desceu ou lá permanece porque um dia subiu e obviamente investimento financeiro.  Agremiações históricas compõem esse grupo, onde 12 desfilam não para chegar em primeiro, mas para ser o último entre as primeiras do andar de cima.

Tive que me conformar, até porque em se tratando da elite do samba, penso que pela primeira vez achei o resultado justo e muito próximo da opinião popular. As notas mais indigestas foram de bateria, mas nada é perfeito. Imperio Serrano por várias vezes ganhou o “Estandartes de Ouro” neste quesito e recebia 9 – 8 de júri. A gente sabe ou imagina que deve haver algo que não entenderemos jamais  se não houver explicação  no entanto, quem está na chuva se molha, embora não se esteja debaixo d’água prioritariamente com esta intenção.

Como disse diante do entusiasmo do dia do desfile: depois que a Unidos da Tijuca passou, não conseguia achar mais nada interessante. No Acesso, acho que faltou muito para que os resultados fossem coerentes com o que vi. Mas a LESGA é vesga e tudo o que as escolas que estão por lá precisam fazer é tentar as pazes a LIESA, que parece está indo ao oftalmo.

E agora que o carnaval passou,.que a ressaca melhorou e que a campeã de lá assim  como de cá desfilou, Feliz Ano Novo!

Parabéns pela inclusão da Embaixadores da Folia!

Afinidade

Sinto uma tremenda afinidade com o Dourado do BBB. Vê-se nitidamente nele, um cara que quebrou a cara depois da fase de achar muita coisa. Vê-se uma pessoa que pensa muito e tanto pensar não impede de pôr sua própria cabeça a prêmio. Uma pessoa que corre riscos talvez com susto porém sem temor. Ele deve ter em algum momento acreditado que é um super-herói ou é cascudo o suficiente pra puxar pra si aquilo que a outro magoaria e derpente, não tem pudor de magoar ou não tem raciocínio para prever que magoará. Seu golpe é a ironia e, quando lançamos mão dessa arma sabemos que podermos sair feridos também. Humano, mas há que se saber buscar o caminho dessa humanidade. Soberbo e humilde o cara é contraditório, objeto de admiração ou rejeição. Duas pessoas mereceriam ganhar 1 milhão e meio: Ele lá e eu aqui nem que fosse na megasena.

Divina Divas

PRECIOSA- Um História de Esperança

Preciosa tem 16 anos, é gorda e negra. Mora no Harlem. Seu pai lhe engravidou duas vezes, na 2ª gravidez é expulsa da escola que não lhe ensinou a escrever nem a se comunicar. Teve sua primeira filha aos 12 anos, ela  é chamada de “Mongo” em referência à Síndrome de Donwn da qual é portadora, a criança é criada pela avó. Sua mãe é algo que só vendo para saber, mas recebe os cheques da Assistência Social. Ela sonha ter um namorado mas os meninos a odeiam. Sua vida é um inferno e algo acontece quando vai para uma escola alternativa onde conhece Blu Rain (Paula Patton). Além das estrelas Mariah Carey despida do invólucro de diva glamurosa, de um belo  Lenny Kravitz e do show de falta de humor daquela que aprendemos a ver fazendo humor,  Mo ’ Nique  (Mary, a mãe infeliz de tanta infelicidade) temos muito o que perceber neste longa de temas indigestos e baseado em história real.

Preciosa não é um filme para se assistir, é um filme para se observar,  perceber e  cenas como as da sua chegada da maternidade nos convoca a participar. Saí do cinema, a princípio pensando que o roteiro deixou a desejar, aos poucos concluí que não é um filme denúncia. O roteiro funciona como um mapa onde as situações são caminhos que nos levam a maiores ou melhores (tanto faz) reflexões. Achei o início meio engasgado, até perceber que a ótica mostrada não é a do expectador fora do problema, mas da personagem mergulhada inteira num problema do qual ela não tem plena consciência. Em alguns momentos faltou-me ar. O filme vai crescendo à medida que Clareece Precious Jones (Gabourey Sidibe) cresce através das suas observações nas suas novas experiências, superando suas limitações impostas por uma vida miserável e uma mãe que deixa as madrastas dos contos de fadas com vaga no céu.

O filme critica um Sistema de Assistência Social que assiste sem conhecer quem é o assistido, financiando a desgraça de quem pretensamente fornece subsídios para uma condição melhor. Mostra que um funcionário que goste do que faz cria toda a diferença nos serviços fornecidos e que “casos perdidos” são aqueles que em vez de encontrarem dedicação espremem-se no meio das omissões.

Surpreendente perceber que atos percebidos podem transformar pessoas. Não basta educar, precisa ser educado, mostrar para que serve a educação através do exemplo. A atitude que não se toma pode ser tão veemente quanto uma ação praticada. Alguns valores podem estar perdidos para sempre por detrás dos nossos olhos, se não tivermos um mundo novo para apresentar a quem em fase de crescimento, pareça não ter condições de crescer e muitas vezes é o descrédito e o julgamento que sepulta todo um potencial.

Preciosa é o filme sobre pessoas que aprendem a partir daquilo que vivenciam e de outras que vivendo nada aprendem. Mostra a fuga pelo sonho, pela ilusão, pelo jogo e pela TV. A fuga pela porta da tirania, quando percebendo-se fracassado é imputado  a outro os motivos do próprio fracasso.

O amor pode ser interpretado como desrespeito e se não encontrarmos quem o expresse de alguma forma digna, passaremos a vida inteira achando que desrespeito é uma forma de amor e a violência sua expressão. Quando o seu filho praticar uma ação violenta, observe as suas próprias atitudes…

Confesso que esperava um final mirabolante, animado e colorido como os sonhos da personagem principal, contudo o que assistimos sobre as suas descobertas se torna muito mais grandioso que qualquer sucesso que ela pudesse ter… Afinal, que diabos! Não é uma versão negra e pobre de Hair Spray e ao mesmo tempo que parecem surgir alguns clichês, fica longe o clichê de auto ajuda. A cena final que pode deixar a desejar talvez assim esteja por mostrar que a vida é feita de um dia após o outro e que muitas das nossas vitórias não são comemoradas por acontecerem exatamente num dia como qualquer outro de nossas vidas. Deixa um espaço vago, pois afinal nossa vida não termina…

Preciosa é uma adolescente com vida de adulta que vive numa desgraça sem fim e que ao final de tudo recebe como prêmio uma desgraça maior ainda e que aprende a viver com ela ou apesar dela. Aprende  a ser útil sem ser subjugada. Aceita um destino que jamais supunha e ao final, ao ver perdido pra sempre sua ilusão, seu sonho de menina, descobre todos os grandes motivos para viver.

Emociona quando ela deseja transmitir ao seu filho coisas que ela não conhece e não entende mas percebe que é bom justamente por nunca ter conhecido nada de bom. Conviver com pessoas de um nível melhor pode ensinar mais do que comportamentos, pois se aprende a partir do que não se entende  mesmo que talvez seja um pouco tarde demais para se obter, mas não custa tentar e aí dá-se a substituição do sonho-fuga-pela-imaginação pelo sonho possível.

Ter sido vítima de violência não é necessariamente um motivo para tornar pessoas eternamente violentas, mas estar constantemente em estado de violência e de amor completo, é fatal. Sim, é óbvio, eu sei… Tão óbvio quanto o fato de que não adianta dar um mundo físico melhor se nele não houver a sensação de importância.

Preciosa é capaz de concluir a partir do que observa no seu novo mundo. Se antes nele só havia o aspecto do romance entre homem e mulher, tudo muda vertiginosamente na medida em que percebe o amor que nunca existiu no seu mundo.

O maior gueto está dentro dos que habitam os guetos.

A pior realidade está nos que tem pena de si mesmo e não olham à sua volta.

Aqueles que tendo amor dentro de si, jamais encontraram quem pudesse fazê-lo desabrochar, não encontrarão motivos para buscar uma vida verdadeira e digna.

Clareece Precious (Gabourey Sidibe), em sua limitação fornecida pela vida e família, descobre o que muitos declaradamente sensatos e de mente aberta não são capazes de perceber.

Está tudo ali, mas é bem possível que muitos não vejam.

Sim, havia outros personagens no filme, mas e daí? Algumas performances são magistrais, outras no mínimo interessantes. Como a comediante Mo’Nique consegue chegar àquela carga de drama, bruxa, despertando ódio e asco é algo que só especialistas em talentos poderiam talvez explicar.

O fato é que não se está nunca livre de uma desgraça, mas temos várias formas de passar por ela e que aquele que nunca teve algo de bom para viver pode passar a ter desde que esteja esperto para descobrir que tenha…

Está tudo ali, esforce-se para ver!