ROMANCE

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Romance é uma surpresa. Delicado,inteligente, bem humorado, instrutivo. Discute o amor, a paixão que podemos ter por uma pessoa, pela arte. Recheado de ótimos diálogos de lindas cenas de amor, até me vi satisfeita por ver Andréa Beltrão diferente das personagens que ela sempre interpreta de maneira, que a mim ficam parecendo tão iguais. Há diálogos no filme que tive vontade de escrever, decorar para não perder de vista. Há coisas do velho Shakespeare tão frescas! E ainda a informação que todos os romances trágicos nasceram de Tristão e Isolda, a partir do século XII e que o beijo final do início dos romances com a felicidade eterna que ninguém vê, começaram no século XVII.

Como fã de cinema brasileiro, claro que vai parecer suspeito, como originária da geração barzinho com violão e papo cabeça, encontro temas e mais temas para discussões e risadas. A verdade é que, não vou ao cinema para não gostar mas nesse filme não precisei fazer o menor esforço.

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Discussões batidas como diferença entre amor e paixão, discussões profissionais entre a romantização do teatro e a pasteurização da TV que se dá o direito de mudar finais de clássicos e decidir o que o público realmente gosta de ver.

Wagner Moura interpreta o inteligente e idealista Pedro, que como tempero leva uma certa dose de ciúme. O cardápio de questões é bem extenso. Um amor recíproco pode ser infeliz? A paixão tem duração pré-definida? Até que ponto podemos nos apaixonar pelo que vemos e não pelo que o outro é? As histórias precisam ter sempre um final feliz? Uma obra precisa apresentar coerência? O ator tem que escolher ser de teatro ou TV e é possível fazer os dois ao mesmo tempo? Como lidar com o parceiro que se torna bem sucedido ao escolher o caminho que decididamente não queremos trilhar?

O público que busca a ficção, afinal, quer morrer de rir ou debulhar-se em lágrimas? Letícia Sabatella envelhecerá algum dia?

Quanto tempo de projeção um monstro como Marco Nanini precisa para roubar a cena? É impagável seu aparecimento na trama e sua entrada numa das ficções dentro desta ficção. Chega a ser hilária a nuance de José Wilker interpretando “deus”. Nada difícil, associarmos alguns personagens com pessoas que conhecemos de tanto que vemos nas revistas de celebridades…

Ao fim de tudo somos brindados com várias versões de Tristão e Isolda, com finais diversos. Considerei um brinde as cenas de nus, em se tratando de romance, sexo é sempre bem-vindo, sorrisos e risadas também!

Romance é um filme sobre romances e amores e nossas reações diante das contraditórias situações nas quais os sentimentos nos envolvem.

Finalmente um filme que uma vez em DVD eu veria muito mais de uma vez.

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