Como cineastas famosos fariam o final de “Avenida Brasil”?

Como cineastas famosos fariam o final de "Avenida Brasil"?.

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A Fonte das Mulheres

Título (opcional)

Fui ver “A Fonte das Mulheres” embalada pela expectativa de assistir a uma comédia, no entanto,  é  um filme com momentos de humor e que bom, a abordagem no estilo de fábula agregado ao humor permite que se apreenda a história da comodidade e do machismo humano sem revolta, liberando  nossa capacidade de observação.

 SOCIEDADE                                                                                                                           A verdade de que a injustiça só é realmente injusta quando nos atinge. O tabu da obrigatoriedade da mulher satisfazer o homem, ainda que ela não tenha orgasmo. A mudança nos papéis sociais que chegam  em caráter de emergência e tornam-se tradições com o respaldo daqueles que passam a se beneficiar. A história leva o nosso olhar para a importância da educação num contexto onde a manutenção da ignorância  de uma parte do povo passa a ser o interesse pela parte dominante, sem que necessariamente  os dominadores deixem de ser ignorantes criando um sistema de exploração institucionalizada do ser humano, um ciclo que somente a coragem aliada ao preparo,  ao estudo é capaz de romper.

HISTÓRIA
Então os homens iam às guerras para defender suas famílias, plantações e territórios e as mulheres assumiram as funções das suas casas e aprenderam a viver sozinhas, executando trabalhos árduos. Chega o dia em que não há mais inimigos para se combater e os homens cuidam das suas plantações e comércio, até que chega uma seca que se estende por anos, excluindo essas atividades masculinas da suas listas de tarefas, que são substituídas pelo ócio, fofoca, preguiça corrupção e suas necessidades de satisfação sexual.
Para se ter água na aldeia as mulheres sobem a uma distante fonte no alto de uma montanha, sob um sol de mata. Mesmo as grávidas são obrigadas a esta tarefa ainda que pesada, o que causa acidentes levando a ocorrência constante de abortos e claro, às mulheres que não conseguem ter seus filhos é atribuída a fama de incompetentes. Por tantos afazeres importantes no grupo, é vedado às mulheres o direito de aprender a ler e escrever, elas nessa vida embrutecida com rotina dura, vão por acaso ter tempo de pensar nisso?
Além das atividades de rotina ainda compete a elas divertirem com seus cantos e danças os turistas que trazem divisas para sua cidade, divisas essas consumidas pela corrupção dos governantes que não cuidam da infra-estrutura das cidades para que o progresso não chegue, num raciocínio simples é explicado que tendo luz elétrica a mulher irá querer uma máquina de lavar, o que acarretará uma conta alta par ao marido pagar e dará a ela tempo livre. Com o tempo livre, a mulher há de querer estudar se instruir e assim não será mais dócil e obediente. Simples assim. Algo de outro mundo? Não.

FÁBULA:
Leila é estrangeira casada por amor com um professor e tem uma sogra digna das bruxas dos contos de fadas, perde um bebê por causa de um tombo a caminho da fonte e precisa conviver com a felicidade de outra mulher que acaba de dar à luz um filho homem. Diante de tanta opressão e trabalheira, restam a essas mulheres o único poder que lhes resta, o sexo e partem para uma greve de amor. E é de amor que nos fala esse filme, o amor, único instrumento capaz de mudar tradições impostas justamente por falta dele. Também fala do quanto mulheres podem ser insensíveis às parceiras de infortúnio, do tabu da virgindade, dos casamentos tratados pelas famílias, das interpretações convenientes dos dogmas religiosos, da influência das autoridades religiosas nas vidas das pessoas e na administração do Estado. Da ausência do poder de decisão das mulheres nas questões intrinsicamente femininas.

O FILME
Rodado no Marrocos, representando uma aldeia num ponto remoto do Oriente Médio, é inspirado numa história real acontecida na Turquia em 2001 e faz alusão à peça “Lisístrata”, de Aristófanes que por sua vez inspirou Chico Buarque e Augusto Boal a compor a canção “Mulheres de Atenas”.
Tem um elenco que mistura rostos de atores conhecidos com atores que não conhecemos, falado em árabe fortalece a carga de drama e empresta textura às piadas nos Sá a sensação de que tudo isso foi há muito tempo, muito tempo num lugar muito distante de nós…

A Fonte das Mulheres vendeu meio milhão de ingressos na França em apenas um mês e foi indicado à Palma de Ouro no último Festival de Cannes, tudo dentro da trajetória de sucessos do diretor, judeu romeno Radu Mihaileanu: “O concerto” (2009) e “Trem da vida” (1998). É um filme com uma fotografia linda, belezas exóticas, uma trilha sonora usada como recurso a se admirar uma cultura da qual nos mostra aspectos críticos e performances excelentes.

Pensamentos

Se a gente não revoluciona a vida, a vida revoluciona a gente. Alguém que sabia disso falou: “pobre só vai pra frente com topada”, parafraseando: rico também. O ser humano se não vai pra frente pelo bem, lá vai pelo mal. Sim, é bem verdade que topadas derrubam, mas teria crescimento maior que perceber a necessidade de se levantar?
Eu sei tem gente que parece que não “aprende nunca”, mas quem somos nós outras pessoas pra afirmar isso?
Algumas pessoas transpassam o que são e consequentemente suas transformações. Outras não conseguem ensinar a tabuada para uma criança, como conseguiriam nos transmitir seus conhecimentos pessoais? A sabedoria adquirida é impessoal e intrasnferível e muitas vezes inacessível…
Algumas pessoas aprendem vendo fazer.
Tem aquelas que aprendem com erros alheios.
Algumas só de ver certas consequencias se apavoram, ficam com tanto medo que se paralisam de certa forma não evoluem, ou involuem…
Ultimamente tantas coisas me aconteceram e tantas coisas vi acontecer que me ponho a pensar que adquirimos mais conhecimentos com as perdas do que com os ganhos, no entanto ambos nos transformam…
Ando há tempos sem conseguir me livrar do episódio do falecimento do Rafael, filho da Cissa Guimarães. Tenho sonhado com ela com frequencia. Ontem, atrasadamente, li que os envolvidos responderão por homicídio doloso, com intenção de matar. Achei justo. Não é possível alguém se atirar do alto de um edifício sem a intenção, pretensão ou mesmo noção de que vai se esborrachar.
Não é bacana sair por aí praticando atos sem a noção que outros irão se ferir. Às vezes não passa pela nossa cabeça que o mal possa acontecer, mas isso não justifica praticar o ilícito, ilegal ou incorreto só porque ninguém está vendo. Também não dá, eu sei, pra ser correto em 100% do nosso tempo, mas me parece que essa seja a nossa obrigação como pessoas que convivem em sociedade e como seres que se julgam a obra-prima da natureza, a evolução das espécies, a imagem e semelhança de Deus. É certo que é o inverso, nós transformamos Deus em nossa imagem e semelhança, criando histórias ou acrescentando em conteúdos históricos atos de um deus que castiga, pune, mata e por injustiça, falta de noção ou sadismo envia pro mundo Xuxas e Bündchens e também a maluca desvairada que escolheu morar na esquina da rua onde eu moro, sendo que eu moro num apartamento e ela ao relento. Nós a chamamos de Maria porque ela chama a todos de Maria.
Não compete a mim perguntar porque Deus concedeu-me a capacidade de pensar e até mesmo de escrever ainda que, digamos, articuladamente enquanto que ela, Maria, não consegue sequer perceber que eu não sou outra Maria…
Eu compro os meus cigarros e ela diz pra mim: “Maria, me dá um cigarro”.
Eu compro os meus cigarros porque trabalho e ganho uma merreca que me possibilita isso e ela não compra cigarros porque não tem dinheiro, não tem dinheiro porque não trabalha e não trabalha porque não tem juízo e não tem juízo porque algo lhe aconteceu em algum momento e ela o perdeu ou talvez nunca o tenha tido…
São os pais os provedores dos filhos, isso inclusive é lei e qualquer pai que não o faça, está sujeito às críticas de todos e às sanções cabíveis.
Um Deus de justiça e bondade não se prestaria a deixar um filho em condições tão antagônicas em relação aos outros também seus filhos. Existem pessoas que compram além de cigarros, carros e aviões, pagam por cirurgias estéticas completamente desnecessárias e tantas outras coisas que para mim, estão no patamar de sonho de consumo (alguns até dos quais eu desisti). Eles tem condições para isso, ganharam um prêmio milionários, nasceram em berço de ouro, tiveram oportunidades para evoluir financeiramente a este ponto. A diferença entre eles e eu e Maria e eu, é que eu não tenho o direito de reclamar, aparentemente tenho condições de um dia comprar meus carros e aviões e fazer minhas plásticas, mas a gente sabe que não é bem assim. Até porque acredito piamente que com todo dinheiro do mundo certas coisas não pesariam na minha carteira… Um avião por exemplo, eu jamais teria – um ultraleve com certeza! Mas essa não é a questão, pois estou feliz com o que deus me deu capacidade para ter, com o que tive ou com o que consegui obter dentro das oportunidades que surgiram, muitas delas nem percebidas por mim.
Tenho sorte de poder falar, caminhar, enxergar, não ter doença grave e poder pensar. Abuso do meu direito de pensar, é o meu maior patrimônio ainda que para muitos não sirva pra nada. Pensando não tenho solidão, mas sei que pensar me acrescenta grandes preocupações e me traz um isolamento, em momentos nos quais o pensamento não pode involuir à palavra. Nem todos tem paciência ou interesse de ouvir. Por isso escrevo, escrevendo converso comigo mesma e posso lembrar-me depois. E posso mudar depois e mudo toda hora sobre muitos dos meus pensamentos.
Voltando a Deus Pai e os filhos dos pais e seus provimentos, há pais que podem dar carros aos seus filhos e não podem dar ética ou educação. Há pais que podem dar dinheiro aos seus filhos e também péssimos exemplos. O que significa que não basta juízo, trabalho e condições econômicas pra se formar uma boa pessoa…
O que teriam concluído o atropelador de Rafael, seu pai e colegas que o acompanhavam? Teriam aprendido com esta terrível experiência?
E nós apenas espectadores, o que teríamos conseguido tirar de conhecimento desse triste, fatal e lamentável ocorrido?
Eu espero que se um dia puder dar um carro ao meu filho, antes tenha lhe presenteado com uma educação que não permita com que ele se ache melhor e maior que qualquer pessoa.
Eu espero ser grande o suficiente para orientá-lo corretamente e ter forças pra assumir que se algo deu errado, não será aumentando o tamanho do erro que vamos acertar. Eu espero saber e estar nesse momento transmitindo pra ele que não podemos fazer em segredo nada que nao faríamos publicamente…
O castigo vale muito menos que a nossa consciência e consciência é algo que se desenvolve e transmite, diferentemente da sabedoria que as experiências possam ou não nos trazer…
Hoje é 2ª feira e ontem ouvi um irmão religioso que veio à minha porta contar-me que Deus para proteger seu povo eleito, mandou que se pintasse um sinal com sangue de animal nas portas das casas… Penso que não sinalizando todas as casas foi permitido por Deus que outras crianças morressem e, a minha pergunta é justamente essa:
Deus faria isso?
Caso sim, não é Deus de bondade; caso não, nós fizemos de deus nossa imagem e semelhança…
Ouvi de algumas pessoas que Rafael estava errado em andar de skate no túnel fechado, mas existe uma grande diferença entre alguém que pratica um “arte”, um menino arteiro que não faria mal nenhum a não ser a si mesmo e um rapaz que usa via interditada em alta velocidade, acompanhado de um “carona” o que faria mal a no mínimo mais uma pessoa…
E isso me traz um novo pensamento, por que essa tendência de culpar as vítimas por suas tragédias?
Por que julgamos tanto?
Sim, eu também estou aqui a julgar várias coisas, mas como disse eu penso demais e o meu isolamento é por não discutir, apenas postar aqui nese blog sem leitores. Não faria isso se eu fosse por exemplo, a Martha Medeiros que se postar em seu blog: Atchim, terá milhares de comentários dizendo: Saúde!!!
Isso me leva a pensar que existe vantagens enormes tanto para mim quanto para a Maria, aquela da esquina da minha casa… Em certos aspectos ela é livre, não paga contas, não tem responsabilidades por seus atos. Se vale a pena ou não, não vem ao caso, cada rei no seu baralho e a gente só tem que viver, por isso crescer dentro das nossas limitações e como eu dizia, as perdas tem muito mais poder de expandir nosso universo pessoal do que os ganhos.
Sim, às vezes perdemos coisas, outras vezes pessoas. Às vezes a tragédia não tem remetente, não induz culpados. Muitas vezes as perdas são irreparáveis e devastadoras. Perder um ente amado é dor, perder um filho não tem nome, saber que essa perda é fruto de uma falta de caráter transmitida – até onde aprendi negar socorro, fugir às responsabilidades não são caracteríaticas de gente de bom caráter. Mas se essas pessoas envolvidas e responsabilizadas criminalmente aprenderem com tudo isso, o mundo terá substancialmente aumentado o seu tamanho e se nós pudermos aprender só de acompanhar de longe esses fatos, o Universo estará mais respirável.
Cissa disse numa entrevista que ima gina que há pessoas que “não vão com a sua cara”, é provável querida, ninguém é 100% unanimidade, mas a questão é o que você fez do seu filho e isso se demonstrou através das manifestações daqueles que o conheciam. Não foi apenas a população estarrecida com uma fato trágico, foram amigos do seu convívio e dele dando mostras sobre o que vocês são.
Tivessem as pessoas indiciadas criminalmente, um histórico parecido e teríamos vistos manifestações solidárias tambem para eles…
O que me traz mais um pensamento:Um modelo de família tradicional e bem visto pela sociedade pode não ser essa maravilha que se diz, apenas reforçar a idéia de que muitos ou todos acham que não é nada demais o erro se ninguém está vendo.
Para alguns, o bom viver é imagem holográfica.
Para outros o bem viver é estar em paz. esteja em paz minha querida amiga, Cissa, sua história pode fazer a todos muito melhor.
Aliás, já que essa postagem ficou longa, chata e pessoal, dou-me o direito a mais um pensamento: As pessoas que não vão com a sua cara, sabem que você atua na luta contra o câncer?
No seu trabalho de conscientização para doação de medula, sangue, órgãos? Não, elas não devem saber disso e se sabem não devem articular o seis ao meia dúzia, afinal o que uma coisa teria a ver com a outra, não é mesmo?
Mas eu vou te dizer algo que acho não cheguei a te falar: eu era sua fã, mas desde o dia em que você abriu-me as portas da sua casa para ceder a sua imagem, com simpatia e alegria. Doando seu tempo precioso e o seu principal instrumento de trabalho pela causa eu tornei-me sua discípula.
De lá para cá, eu penso o quanto você trabalhou para formar uma gande família e que casar-se mais de uma vez não interfere na boa formação.
Que necessidades ou dificuldades econômicas não justificam ausências naquilo que é fundamental na criação de uma pessoa, os filhos.
O quanto você tem de dignidade a ponto de transferi-la aos que estão à sua volta.
O quanto de responsabilidade e competência você movimenta no seu universo pessoal e na sua trajetória profissional a cada dia mais diversificada e sólida. Eu que te prestei minha solidariedade agora só tenho que prestar a você respeito, nada de pêsames porque mortos estão os que não aprendem com a vida.
Sim, podemos aprender com os erros nossos e dos outros. Podemos aprender vendo e você me ensinou demais. Não é um consolo, mas talvez explique porque tive vários sonhos onde você aparecia.

Copa, Política e Comportamento

Desde a eliminação do time brasileiro, para mim tanto faz o resultado da copa, desde que a Argentina não fosse adiante. E jabulani foi generosa neste meu capricho. Ganhei ali, por quatro a zero, a minha copa particular!
Mas que torci para o Uruguai, com certeza. Pelo Paraguai, muito. Da Alemanha queria a vitória porque apostei nela no bolão dos sandubas do Macdonald. Mas após Brasil e Holanda pensei, seria bom a Holanda ganhar e nossa eliminação seria mais, digamos respeitosa, afinal, perder para o campeão é melhor que perder para qualquer outro. Claro a Espanha é campeã europeia… Aí sou obrigada a lembrar da declaração do Maradona que no início da copa disse que a grande potência futebolística ainda era a Europa, pois que seja.
A derrota do Brasil nesta copa dá um tom de esperança para o reencontro do nosso futebol, pois o que vimos nessa competição, não era futebol brasileiro.
Uma reflexão bem boba, mas evidenciada neste certame, é que se faz necessário a busca de um equilíbrio e de uma definição entre as coisas que influenciam ou não as atitudes e empenho dentro de campo. Se tivemos copas com muito de estrelas, estrelismos, mídia, expectativa de decisão por talento individual e tantos fatores apontados como passíveis de comprometer os resultados dos atletas em campo, em 2010 tomamos caminho inverso e não ganhamos nada a não ser alguma experiência que se poderá últil, só o futuro irá dizer.
A hora da crítica passou, eis que para nós já é chegado o momento de avaliações e visão de futuro.
O time que lutou pelo título eximou-se de levar talentos que pudessem decidir na base da individualidade. Apoiou-se na qualidade da defesa e seguiu no improviso na ligação do meio-campo ao ataque. Investiu na graça divina uma vez que levou um atleta vindo de contusão acreditando que ele se recuperaria ao longo da competição, na minha opinião tosca que ninguém pediu, acho que é pedir demais a Deus e ele não joga futebol, no máximo deve estar chateado, pois nos deu tantas graças e houve falha no livre arbítreo.

Nas grandes empresas o gerente/ lider é responsável pelos resultados dos seus subordinados, libera ou veta conforme sua visão, competência e capacidade, desta forma os menos culpados são aqueles que estiveram em campo, afinal nada mais empresarial nos últimos tempos que o futebol.
No nosso país é comum atribuir-se todas as culpas ao governo, esquecemos os meios e atacamos os fins. Deputados, vereadores tem seus atos e fatos esquecidos entre uma eleição e outra, diferentemente do futebol, a população como todo tem sua parcela de culpa nos resultados das determinações e legislações que refletem na nossa qualidade de vida. Preocupados com a nossa individualidade, não percebemos o impacto que as medidas governamentais tem na nossa rotina então estamos culpados pela nossa própria desinformação. Não vale criticar a atitude de um povo que para pra ver sua seleção jogar, pois que não criticamos os viciados que alimentam o tráfico e da mesma forma estamos ávidos desses chamados “ópios do povo”.

Na história de cada um fazer a sua parte, existe um capítulo que não percebemos: É preciso observar a parte alheia, mas isso só e feito no que diz respeito às questões segmentárias que interferem muito mais no nível pessoal do que da sociedade como um todo – defesa de interesses e não interesse em defender direitos justo e igualitário. Resumindo: o futebol não depende de nós, nós estamos dependentes do futebol e daquilo que realmente dependemos, nos isentamos por ignorância, covardia ou apenas falta de interesse ou excesso de desinteresse.
2010 não acabou, nem mesmo para efeito de calendário esportivo.
Entre 2010 e 2014 temos ainda uns 41 meses e 20 dias. O caso do goleiro que movimenta a mídia e comentários nas ruas tem muito menos a ver com futebol do que com uma série de comportamentos sociais que desaguam num contexto, esdrúxulo, de crueldade, machismo, indiferença, ignorância, preconceito e outros itens “periféricos” que emprestam um estado patológico à nossa sociedade.
Perder a copa não foi uma tragédia. Perder para nós mesmos é uma tragédia.

DIÁRIO DA COPA Jogo 4 – algumas lições:

Diário atrasado…  Compreensível, fomos espremer uma laranja e ela nos engoliu. Um suco azedo pra caramba que desceu amargo goela abaixo! Não foi a melhor experiência da minha vida, porém longe de ser a pior, caso fosse uma eliminação nas semi-finais por aquele país azul e branco pilotoado por um certo baixinho –  muito mais marrento que o nosso – com barba grisalha, ar de pastelão e brinco de diamante na orelha…

O fato é que todos já sabíamos. Como um doente terminal: a gente sabe que ele se vai, mas não sabe quando e no canto esquerdo do peito bate uma esperança tão burra quanto teimosa de que um milagre aconteça… Aí a gente faz a nossa parte… Visita, reza,  investe, acredita porque seria doloroso demais jamais acreditar…

Mas cá pra nós, penso na incoerência da coerência. Se era coerente ter experiência e se, no auge da disciplina bastava um dedinho de inspiração, porque levar o inspirado à meia-bomba? Num certo momento ouvi um ocmentarista dizer que estávamos dependendo de um lampejo da genialidade do camisa 10. Oras, teria sido muito melhor esquecer um pouco do comando e carregar mais na alegria do talento.

Moral da história: Nunca a disciplina vencerá o talento. No máximo, disciplina e obediência podem potencializar o talento, mas jamais o superar… De repente ver a alegria ser substituída por uma expressão tão ríspida e um dedo em riste, era a prova que o ânimo do mestre contamina o discípulo – talento sem compreensão é vão…

Temos que ter calma com os geniais, nenhum gênio é 100% normal.

Temos que ter fé na juventude, eles estão loucos par anos mostrar o quanto podem.

Experiência não dá equilíbrio emocional a ninguém

Não se acredita nos outros, baseando-se no que somos ou fomos.

Não confie em músculos exaustos, púbis dolorido, coxa lesionada. Por mais talentosos que sejam os pés e por mais fiel  que lhe seja a mente que anima esse corpo…

Time é química, quase uma alquimia

Jogar pros lados nunca trouxe gol…

Jabulani puniu aqueles que lhe ajeitaram na rede com as mãos…

Talento sem himidade é só arrogância.

Talento sem inteligência é farsa.

Fomos patos com laranja porque faltou um ganso?

Diário da Copa- Jogo 3

Caramba! O Rio é pura maravilha!

De 2ª a 6ª  se pararmos um carioca numa esquina qualquer da Rio Branco e perguntar onde ele está, certamente ele levará uns 3 segundos pra responder… Se demolirem um prédio e construirem uma outra coisa qualquer no lugar, teremos alguma dificuldade de descrever o que tinha ali antes da nova contrução. Sim, a gente anda correndo, atravessando em sinais vermelhos, desviando de de um monte de coisas que insistem em habitar a calçada. Sim, no geral estamos sempre atrasados e mesmo quando nao estamos corremos assim mesmo. A gente dá muxoxo por ter que aguardar alguma coisa, ainda que o tempo esteja sobrando.

Aos sábados depois das 14 horas e domingos as ruas do centro ficam desertas de dar medo. A população muda. Quem vai oa CCBB chega de táxi e se enfia lá dentro, sai de lá e se enfia num táxi. Quem não anda de táxi, reza. tem que te rmuita fome de cultura ou de lazer grátis e/ou barato pra bancar este desafio.

Hoje eu caminhei pelo Rio que deveria ser assim sempre. Pouco trânsito. Calçadas lotadas sem transtornos, Do Bairro de Fátima à Cinelãndia, churrasqueiras mil. Quem não estava de amarelo e verde, parecia ter inveja . O povo sorria e creio que além de comemorar a vitória que nçao houve, a classificação antecipada para as oitavas, comemorava o seu direito não de ir e vir, mas de ESTAR. Estar em comunhão com as cores verde e amarelo, estar entre amigo e perdoem-me: estar podendo fazer amigos.

Tudo tão bonito! A felicidade embeleza as pessoas e resgata o nosso espaço na cidade. Hoje todos que estavam nas ruas eram cariocas, tão somente por usufruirem da cidade e sentir-se brasileiros.

Era um consenso que o jogo foi horrível. Mas era fato que estávamos onde uitos nao conseguiram chegar. É mais ou menos assim que vivemos, felizes pelo que temos, felizes quando não perdemos. O brasileiro gosta de futebol e carnaval, mas antes de tudo ele gosta de folga, não pelo fato de não ter o nada o que fazer mas por ter muito o que fazer. Jogar conversa fora, perdoar os gols perdidos, amaldiçoar a trave, reclamar do juiz. Vestir-se com a simplicidade e estar muito chique mesmo estando igual. Porque a gente precisa ser igual, sem teorizar sentir-se parte de algo e quanto mais gente igual, melhor. Muitos do meu povo querem apenas o espaço para viver. Hoje o Centro foi nosso.No amanhã ninguém pensava, do jeitinho que a gente precisa viver.

Acho que por isso gosto tanto de futebol. E quem não gosta, é porque nunca pode viver esta festa. festa de jogo ganho ainda que sem vitória, festa de campeão ainda que não chegue lá.

Jabulani

Ela é leve, faz sua própria trajetória, alguém já disse que ela é “sobrenatural”. Foi chamada de “patricinha” – aquelas meninas mimadas, cheias de capricho. É fato que ela pode trazer a glória e num segundo fazer de um homem um rei ou num piscar de olhos deixá-lo atônito e perplexo entregue à amargura a se perguntar por que? Ela é voluntariosa, sim e, como toda mulher, já começa a ter seus segredos desvendados. Aos poucos vai se tornando dócil escolhendo aqueles que a tratam bem. Ela tem alma feminina e mulher é assim: mistério que atrai, beleza que copia e no final de tudo, os conquistadores percebem que simplesmente foram os conquistados por ela. Quando ela se dá, o prêmio é nosso e ficamos com os olhos acessos, o coração acelerado, a boca seca, a pele arrepiada, prontos a chorar ou a sorrir. Explodimos em prantos ou arrebentamos de alegria. Nada mais nos resta se não aceitar os caprichos dessa princesa e sorrir se eles nos favorecem. Ela tem nome de festa que sugere uma pronúncia nordestina: Jabulani! Princesa, redonda, astuta, seja-nos fiel! Nós te prometemos, honrar o teu nome e fazer uma grande celebração!